domingo, 16 de outubro de 2011

Branca, pomba, suja e morta.
quis gritar:- Não! Não me deixa sozinha aqui!
Diante da morte, a sensação indizivel de vacuo.
longe longe: mistério intocado.
Tocou amedrontada as costas da pomba: Dura e gelada,
sem perdão algum.
Assustou-se tanto que chorou.
- Não, pomba! Vai mas me leva também! Não me deixa aqui!

Poba, poba, poba pobinha
Poba poba brincando pelo céu
Poba poba nascendo de ovo
Poba poba poba
trru trru trru
poba poba vivinha da silva poba
trrruuuuu truuu trrruu

ei , poba!
Pode fazer cocô no meu quintal, ta bom?
pode passar carrapato pro meu cachorro.
tudo bem!
mas não vai embora do mundo sem mim
não me deixa pra tras.

poba poba poba trrru trrrru
poba namoradeira
de casalzinho na fiação
poba poba poba cuidado
que equilibrar em eletricidade não é brincadeira
poba poba poba
voando pelo céu,
voando azul e branco
caindo de madura
morrendo de velhice
poba poba
não faz assim
poba sai do ovo
quebra casca
poba namoradeira
trrru trrrru trrrruuuu
pobinha pobinha
enroladinha na toalha
toda tremelicada
toda dura

amanhã não tem folia no quintal.

trrrru trrruuu trrruuu
que saudade da pobinha...

sábado, 8 de outubro de 2011

Ele correu pelos campos e pelos mares. Pelo céu e pela terra.
Mensageiro de Zeus, voava mais rápido que suas asas. Anunciava, bradava, pedia.
- Hermes chegou! - anunciaram as mulheres - Hermes chegou e te chama, Luz.
A menina loirinha levantou-se, cacheando o chão de dourado.
- Que posso fazer por Zeus? - disse com Ares de velha sábia, acostumada a salvar Zeus de suas encrencas.
- Deixa cair o véu. Vai ao chão e volta. Cai ao peito e sofre. Vive branda o caos. - Anunciou Hermes - Hoje é só.
Hermes ergueu o braço direito aos céus e o esquerdo à terra. Lentamente, levitou do chão e se desmaterializou.
- Que quer Zeus comigo, dessa vez? - Luz penou, feixe de Luz.
E disse, assustando-se com o que escapara involuntariamente de sua boca:
- Como pode, Zeus ? Como pode alguém ter tanto sofrimento no peito a ponto de querer acabar com a própria vida? - E sentiu um arrepio percorrendo a espinha.
Proibiu-se de pensar nas semanas que estavam por vir.
Era menina, dissolveu-se em ondas.
Alumiou.
Amém!

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Pois é, ainda estou aqui

Estive lendo minhas postagens e confesso que me assustei muito. É que esse meu blog acabou se tornando mais íntimo que meus infinitos cadernos diários de escrita. Aqui, eu falei mais claro, mais grosso, mais alto. Nem uma metaforazinha pra disfarçar rs. Fico envergonhada de saber que gritei assim minhas vergonhas pra todo mundo, mas talvez tenha sido por necessidade. Já dizia o ditado de vovó: " Quando mais aperta a palma, mais ela pula pra fora ".
Quem não diz o que precisa na hora certa, fica dizendo várias vezes depois - sem compensar.

Pois bem, com dificuldade me ergo.
Passo aqui agora pra anunciar que vou retormar o blog de um jeito mais literário. Compartilhar, de fato, aquilo que considero minha escrita e minha poesia.
Ultimamente, tenho pensado em levar a escrita a sério. Não tenho intenção nenhuma de mudar ou adequar meu estilo, apenas tenho pensado em me dispor a participar desses concursos que nos oferecem possibilidade de publicação.
Sou muito íntima das letrinhas, desde criança. São poucas as felizes recordações de minha infância que não estão ligadas a universos fantásticos, a poetas malucos. Quando aprendi a ler, virei uma máquina devoradora de livros, e quanto mais devorava, mais queria poder criá-los também. Em menina, escrevi dois livros. No começo da adolescência, outro de poesias.
Pensando agora, não me lembro nunca de ficar sem escrever. Escrever pra mim é quase uma necessidade pra continuar existindo. Também pra complicar a vida.
" Eu sou até feliz, o que me atrapalha é escrever... " C.L.

A questão é que sempre escrevi, por necessidade. Nunca me descobri escritora.
Até a metade desse ano...
não me preocupo com fórmulas e ortografias e coesões articuladas. só escrevo, o resto vem naturalmente.
portanto, me perdoe os possíveis erros. mas não me importo com eles porque as palavras são duplapalavraebarrreira. amigas e víboras...
uma pedra no meio do meu caminho.
amém.

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

sábado, 30 de julho de 2011

rasa

pássaro que pensa demais não dá rasante.

arrasada.
amenizada.
alisada.
arreganhada.
abandonada.

adadadadaaadadadadadadadaadadadaada
...

meu universo inteiro não foi suficiente.
meu mundo inteirinho.
meu corpo completo, minha mente e minha alma...
não o suficiente.
pouco,pouco,pouco.
- não, não é isso.

me desculpe minha pequenez
e desculpe mais a minha insensatez
de anão metido a gigante...

mais rasa que um pires...
afogando-me em piscinas de bolinha,,,

faz falta.



apesar de tudo, eu n merecia a insinceridade...
beijo, meu amor passado.

falta consideração
faltou.

adeus

sábado, 18 de junho de 2011

despessoalização

Cansada... adjetivo tão simples, paupérrimo de explicações. E aqui está nossa personagem.
Palavras embromam-se em sentidos, sentimentos, sensações e nada mais há a ser dito.
Descoisifica-se a palavra... e em vez de relação direta estabelecida com a coisa, não há coisa.
Talvez uma indicação distante de um sei lá o quê a ser descoberto. Uma nostalgia distante de algo que está prestes a acontecer.
Cansada, essa é nossa personagem.
E não queira vce, incauto leitor, associa-la a gênero ou número ou classe sintática, pois não o há. O dito é o novo, a não-palavra... que por ausência de irmã melhor, acaba por empregar o adjetivo em questão a submeter-se a tal ofício.
Entenda as entrelinhas, apenas.
Ignore o texto.

" O que digo nunca é o que digo, mas sim outra coisa. "C.L.

terça-feira, 7 de junho de 2011

medo

O que deve ser dito pulala dentro da minha boca. Pede pra sair, pede pra gritar, pede.
Pede.

Peço que seja em vão, a palavra.
Peço que seja em vão.
No vão entre nós dois, que a palavra passe apertada. Que grude em nossos peitos, que mele toda a nossa mão.
E então nós a lavamos. Lavamos o peito, lavamos a alma. Lavamos a mão da culpa de querer ficar juntos sem ter perspectiva de futuro, ou de felicidade.
Somos tão sós de nós mesmos. Tão sós de todos. Somos sós porque queremos...
Não precisaríamos ser assim, tão melodramáticos, tão assustados, tão receosos.
Não quero tua liberdade inteira pra mim, eu quero é ter minha liberdade de sorrir, de amar, de viver.
Deixamos que cada um possa ir pro seu lado da forma que preferir...
e ainda assim juro que nunca me senti tão prisioneira de alguém.
Você que vai embora e deixa sua presença sempre aqui, com milhões de represálias com as quais não sei lidar.
Eu quero você. Só você.
E isso é só por enquanto...
Já acaba já, já vai... não precisa achar que vou te segurar pra sempre.
Por que não pode você me querer desse jeito?


...
Estou sozinha de ti. Sempre sozinha.
Aguentando a barra sem dizer, sem gritar. Só suportando o peso.
Só que assim não aguento, amor. Não aguento mais...
Estou cansadíssima!
Estou a ponto de desmaiar... perder a consciência... cortar as mãos.
Eu e você me ceifa, porque não posso te amar e, no entanto, me sinto incapaz de amar qualquer outro...
Preciso te esquecer. É assim que tem que ser...
Entretanto, sabendo ainda de tudo, quero te dar oportunidade de voz. Só pra eu não me sentir injusta ( embora tenha sido injustiçada) e só pra eu achar que realmente fiz tudo o que eu podia pra que desse certo...
Eu tentei.
Tentei e tento ainda, as vezes.

Mas agora não dá mais...
É questão de força mesmo, sabe como é?
A minha acabou e a sua? nem ao menos começou, não é?

Sabia. Eu sei. Sempre soube.
mas é difícil dizer, e é mais difícil ainda ouvir.

LIBERTAÇÃO.
essa é a minha bandeira, agora.